Empresário investe na construção de abatedouro em Juscimeira


Foto: Arquivo pessoal

Decidido a mudar de vida, o empresário e produtor Jucinei Ferreira vai apostar em um novo negócio: a carne de qualidade. Pensando nisso, ele está se preparando para abrir um abatedouro bovino no município de Juscimeira, a 164 km de Cuiabá. A previsão é de que o empreendimento fique pronto no próximo mês de junho e trabalhe com abate próprio, além de atender a pequenos pecuaristas e sitiantes e eventos como aniversários e casamentos.

Mas tudo isso só será possível devido ao apoio que o empresário tem recebido. A Prefeitura de Juscimeira, por exemplo, cedeu, através de comodato, um terreno no setor industrial para a construção do futuro abatedouro. Já o Serviço de Inspeção Municipal (SIM) forneceu todas as instruções necessárias para a abertura do negócio e, depois, ficará responsável pela fiscalização dos alimentos produzidos.


Segundo o prefeito Moisés dos Santos, a experiência de incentivo ao empreendedorismo por meio de comodato tem sido positiva. “A obra já tá praticamente finalizada e vai agregar aqui todo o município com renda, geração de emprego e oportunizar para que a gente possa estar consumindo produto aqui do próprio município”, afirma Moisés. O administrador acrescenta que essa é a primeira experiência de empréstimo de um terreno público municipal.


Para abrir o negócio dentro da legalidade, Jucinei precisou cumprir uma série de exigências. Entre elas, pode-se destacar a própria documentação da empresa; a apresentação da planta baixa; o projeto hidrossanitário, ou seja, do sistema hidráulico; o licenciamento ambiental; e o acompanhamento de um responsável técnico. O médico veterinário Carlos Eduardo Vasconcelos, coordenador do SIM de Juscimeira, explica que as exigências podem variar de acordo com a legislação local.


Depois da inauguração, o médico veterinário responsável pelo SIM precisará inspecionar os animais diariamente, a fim de garantir ao consumidor final um produto de qualidade. O acompanhamento deve acontecer antes e após o abate. De todo esse processo de regularização, as maiores dificuldades, na opinião do coordenador do SIM, são o alto investimento; a morosidade dos órgãos públicos; e a contratação de um engenheiro ambiental experiente em normas sanitárias.


Quem busca empreender no mercado da alimentação pode esbarrar, também, na legislação federal. As normas se encontram na Lei 13680/18, que alterou a Lei 1283/1950 para dispor sobre a fiscalização de produtos alimentícios de origem animal feitos de forma artesanal. Porém, segundo especialistas, o novo texto não deve contemplar a realidade de pequenos produtores como Jucinei, dificultando a licença para venda em outros municípios e até outros estados.


Mesmo assim, o empresário não desanima. Pelo contrário: faz planos para o futuro. Ele pretende ampliar e modernizar o espaço e fazer de tudo para obter o registro estadual. Dessa forma, poderá comercializar produtos para municípios como Jaciara, Dom Aquino, Campo Verde e todo o Vale do São Lourenço.


“Juscimeira tava precisando de um abatedouro, porque não tem. E eu acho que vai gerar mais emprego para a cidade, vamos ajudar a população”, acredita Jucinei. A expectativa é compartilhada por outras pessoas, a exemplo do secretário municipal de Agricultura. Paulo Eduardo Macedo afirma que a instalação do abatedouro deve gerar em média 15 empregos diretos e outros 15 indiretos e beneficiar o pequeno produtor.


O futuro abatedouro conta com 416 m² de área construída e recebeu investimento de aproximadamente R$ 850 mil. Em funcionamento, terá capacidade para abater de 30 a 50 cabeças de gado por dia, obedecendo às normas ambientais vigentes.


Um exemplo a ser compartilhado


Para o diretor da RedeCoop, Hudson Saturnino dos Anjos, a implantação do abatedouro de Juscimeira serve de exemplo para outros municípios. Nesse sentido, ele enfatiza que o prefeito Moisés está de parabéns por assumir esse desafio e reunir condições favoráveis dentro das suas competências legais. “Mais certo age o prefeito por promover a inclusão sócio produtiva dos seus representados”, diz Hudson.


O diretor também acredita que o futuro negócio vai ajudar a fortalecer a economia do pequeno produtor, pois não é preciso formar lote para vender a abatedouros, nem haveria um padrão excessivamente exigente na compra dos animais. Além disso, Hudson destaca que empresas como essa podem trazer produtos de qualidade a lugares distantes dos grandes centros de comercialização.


Por Glaucia Machado



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